É possível treinar o cérebro?

 

Luiza Muler

Acadêmica do Curso de Psicologia / UFPR

Com o intuito de verificar a eficácia da utilização de programas computadorizados quanto à melhora global das funções cognitivas, Adrian M. Owen e colaboradores (2010), realizaram um estudo a fim de esclarecer quais os benefícios obtidos por meio desse treinamento cognitivo. Os pontos investigados se pautam nas questões referentes à validação da melhora no funcionamento geral da cognição, e na verificação da possibilidade dos benefícios desses treinos serem transferidos para tarefas não treinadas, diferentes daquelas utilizadas por tais programas.

O estudo contou com 11430 participantes, os quais foram submetidos a diversos treinamentos durante um período pré-estabelecido de seis semanas. Esses treinos consistiam na realização de avaliações neuropsicológicas que envolviam testes de raciocínio, de memória verbal de curto prazo (VSTM, verbal short term memory), de memória espacial (SWM, spatial working memory) e testes de aprendizado de associação por pares (PAL, paired-associates learning). Com o objetivo de facilitar a execução desse experimento e auxiliar na posterior comparação dos dados obtidos, os colaboradores foram então divididos em três grupos: o primeiro envolvia tarefas de treinamento com ênfase nos campos referentes ao raciocínio, planejamento e resolução de problemas; o segundo se utilizou de testes de memória de curto prazo, atenção, processamento visuoespacial e matemática (os quais eram semelhantes àqueles encontrados nos programas de computadores); e o último consistia em um grupo controle, não sendo realizadas tarefas pertencentes ao âmbito da cognição.

Após o período proposto para a avaliação dos integrantes, chegou-se a conclusão de que as melhorias registradas foram muito semelhantes nos três grupos analisados. Dessa forma, segundo os pesquisadores, os resultados obtidos não evidenciam qualquer relação entre progresso ou desenvolvimento referente às funções cognitivas e treinamento cerebral por meio de programas computadorizados. Um ponto importante a ser ressaltado consiste na constatação de uma melhora significativa no que se refere às habilidades que abrangiam a capacidade de resposta em relação aos próprios testes aplicados durante a pesquisa. Como já esperado, ao longo do período de testagem, os participantes foram desenvolvendo habilidades específicas, as quais se restringiam apenas às tarefas ali realizadas, já que estas consistiam basicamente em repetições sistemáticas envolvendo perguntas e respostas. Apesar da constatação obtida, os pesquisadores não excluem a possibilidade de que outras abordagens, tais como a realização de um treino cognitivo presencial (e não online) pode ser benéfica em algumas circunstâncias. Porém, reforçam a ideia de que os resultados obtidos confirmam a premissa já exposta de que seis semanas de treino regular cognitivo computadorizado não são capazes de propiciar benefícios relevantes a essas funções.

Referências Bibliográficas

Owen, A.M et al (2010). Putting brain training to the test. Nature, Lettersjun.2010.

 

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