O que é e como criticar – parte 2

criticsm2Criticar é algo que pode ser aprendido. No post anterior, discorremos sobre as premissas da crítica. Agora, tendo como fundamento o texto de Adler (Como ler livros: o guia clássico para a leitura inteligente), comentaremos o modo de conduzir uma crítica quando discordamos do autor.

 Consideremos agora a situação em que você discorda do autor mesmo que tenha entendido tudo o que ele disse. Se você se esforçou em seguir os preceitos apresentados no capítulo anterior, então discorda porque sabe onde o autor errou. Você não está simplesmente verbalizando preconceitos ou expressando emoções. É por isso que, de um ponto de vista ideal, há três condições que devem ser satisfeitas para que a controvérsia seja conduzida a contento.

A primeira é exatamente esta: como os seres humanos além de racionais são também animais, é indispensável que as emoções que porventura despontem ao logo da discórdia sejam identificadas e reconhecidas como tal. Caso contrário, você apenas dará vazão a sentimentos, e não ai declarar razões. Você pode até achar que está coberto de razão, mas na verdade está coberto de fortes emoções.

Segundo: você precisa explicitar suas premissas e pressuposições. Precisa estar ciente dos seus preconceitos, isto é, de seus prejulgamentos. Caso contrário, não conseguirá admitir que seu oponente também tem o direito de ter premissas e pressuposições diferentes. A boa discórdia não deve resumir-se a disputas sobre premissas. Por exemplo, se um autor explicitamente lhe pedir que aceite certas premissas como verdadeiras, o fato de que o contrário do que ele diz também possa ser verdadeiro não é motivo suficiente para você contestá-lo. Se seus preconceitos situam-se no pólo oposto e se você não reconhece que são preconceitos, será incapaz de avaliar o autor com a devida justiça.

Terceira e última: tentar ser imparcial é um bom antídoto para as cegueiras “partidárias”. É impossível não haver controvérsias quando há tomada de partido, mas para que as partes tenham certeza de que estão trilhando o caminho certo, isto é, que a razão esteja predominando sobre as emoções, é desejável que cada parte assuma o ponto de vista do oponente. Se você for incapaz de ler um livro de maneira, digamos, “simpática”, suas discórdias provavelmente serão fruto de disputas meramente pessoais e não intelectuais.

Essas três condições são, idealmente, as condições sine qua non  da conversa inteligente e proveitosa. Elas obviamente se aplicam também a leitura, uma vez que a leitura também é um tipo de conversa. Cada uma dessas condições contém conselhos úteis para os leitores que estejam realmente buscando respeitar o ponto de vista do oponente.

Porém, o ideal é algo do qual podemos nos aproximar, mas que nunca iremos atingir. Jamais devemos esperar, o ideal das pessoas. Nós mesmos, admitamos desde já, estamos bastante conscientes de nossos próprios defeitos. Violamos nossas próprias regras de boas maneiras intelectuais. Já nos percebemos atacando um livro em vez de criticá-lo, batendo em espantalhos, fazendo denuncias sem poder justificá-las ou afirmando que nossos preconceitos eram melhores que os do autor.

No entanto, continuamos firmes em nossa crença de que conversas e leituras críticas podem ser bem disciplinadas. Dessa maneira, vamos substituir essas três condições ideais por um conjunto de prescrições que possam ser facilmente seguidas. Elas indicam os quatro caminhos para que um livro seja devida e justamente criticado. Nossa esperança é que o leitor fique menos inclinado a expressar emoções e preconceitos.

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p>No próximo post, apresentaremos as 04 preposições práticas, que Adler ensina para fazer uma crítica.

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