Atividade física aeróbica pode melhorar a cognição e a capacidade funcional de pacientes com Alzheimer?

brain trainingUm estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e publicado na Revista Arquivos de Neuro-psiquiatria investigou se o exercício aeróbio pode melhorar a cognição e a capacidade funcional de pacientes com a Doença de Alzheimer (DA). Um grupo de 20 idosos com demência (16 com diagnóstico de Alzheimer e 4 com Demência mista) foram aleatoriamente distribuídos em dois grupos: o grupo de exercício (GE) e o grupo controle (GC). Os grupos foram distribuídos sem conhecimento prévio dos pesquisadores.

O GE foi submetido a atividade aeróbica utilizando-se um treinamento na esteira com duração de 30 minutos, 2 vezes na semana e durante 3 meses. A avaliação neuropsicológica foi realizada utilizando-se uma versão adaptada da escala Cambridge Cognitive Examination (CAMCOG). Outros instrumentos foram empregados para avaliar função executiva, atenção e concentração, flexibilidade cognitiva, controle inibitório e capacidade funcional. Os principais instrumentos foram: Teste do Desenho do Relógio, Teste de Fluência verbal (categoria animal), Teste de Stroop, Teste de Dígitos (Bateria WAIS-R) e Teste de Aprendizagem Auditivo Verbal de Rey. A capacidade funcional foi mensurada utilizando as seguintes escalas: Berg Balance Scale (BERG), Functional Reach (FR), Timed Up and Go test (TUGT), Modified Timed up and Go (TUGT MOD) e Sit-to-Stand test (STS).

Os resultados evidenciaram diferenças significativas entre os grupos no CAMCOG (p< 0,001), mas não em outras medidas neuropsicológicas. Em relação as medidas funcionais, os resultados evidenciaram diferenças significativas no BERG (p<0,001), FR (p<0,001) e TUGT (p<0,001). Todas as medidas neuropsicológicas e funcionais utilizadas apresentaram tamanho do efeito (effect size) que variaram de médio (0,38) a grande (1,58) para o grupo GE.

Os autores concluem que a atividade física aeróbica (treinamento em esteira) melhora o desempenho cognitivo e funcional de pacientes com DA. Estes resultados podem ser explicados pelo aumento da redistribuição do fluxo sanguíneo cerebral, pela ação protetora de fatores neurotrópicos do cérebro e pelo aumento da síntese e metabolismo de neurotransmissores.

A pesquisa apresentou resultados interessantes que necessitam de investigações futuras que corroborem os resultados encontrados. Algumas limitações do estudo são observados pelos próprios autores. O mais evidente é o número da amostra pequena, em especial a selecionada para a atividade física (n=10). Outra, refere-se a características dos participantes, composta de pacientes com DA leve. Além destas, algumas medidas neuropsicológicas e funcionais não apresentaram diferenças significativas entre os grupos, e principalmente, o tamanho do efeito, que apresentou uma variação muito grande (observado pelo intervalo de confiança-IC). Esse resultado sugere que os resultados também podem ser interpretados como tratamento sem efeito. Estas limitações são desafios para novas investigações.

 

Referência:

Arcoverde, Cynthia, Deslandes, Andrea, Moraes, Helena, Almeida, Cloyra, Araujo, Narahyana Bom de, Vasques, Paulo Eduardo, Silveira, Heitor, & Laks, Jerson. (2014). Treadmill training as an augmentation treatment for Alzheimers disease: a pilot randomized controlled study. Arquivos de Neuro-Psiquiatria72(3), 190-196. Retrieved March 31, 2014, from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2014000300190&lng=en&tlng=. 10.1590/0004-282X20130231.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s