Olha o alemão ….

AlzheimerAlois

 Quando Fabiana esqueceu o nome da cidade onde nasceu, Berenice, sua amiga de infância, aproveitou a ocasião para gracejar:

– Olha o alemão……!

Ela estava se referindo ao psiquiatra alemão Alois Alzheimer, quem, pela primeira vez, descreveu a Doença de Alzheimer, em 1906.

 

 

Nos últimos 15 anos venho pesquisando, ministrando aulas e palestras sobre a Doença de Alzheimer (DA). Meu interesse particular é sobre a avaliação neuropsicológica da memória e das funções executivas. Em 2003, este assunto foi o tema da minha tese de doutorado, sob orientação do Prof. Dr. Orlando Bueno, na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). O motivo por que comecei a estudar este assunto foram algumas circunstâncias de vida familiar e a curiosidade acadêmica. Um fato marcante, na minha vida pessoal, foi o adoecimento do meu avô materno, no final dos anos de 1990. Eu não compreendia o que estava acontecendo. Aquele senhor outrora forte e comunicativo, agora estava deitado numa cama, sem força e sem poder falar; totalmente dependente de outros para a sua sobrevivência. Pior, olhando para ele, parecia que não se lembrava de ninguém, não reconhecia os nomes e os próprios familiares. Alguns diziam: “é esclerose”. Outros: “ ficou caduco”. E ainda outros: “virou criança novamente”.

A curiosidade acadêmica fez com que eu procurasse compreender melhor o que estava acontecendo com meu avô e com os outras pessoas idosas. Sabemos que no processo de envelhecimento ocorre um declínio de muitas funções cognitivas (memória, atenção, velocidade de processamento e funções executivas) é um processo neurocognitivo normal. Ocorre que, em alguns casos, este declínio é mais acentuado do que o esperado para uma determinada faixa etária. Quando e como o declínio cognitivo pode ser considerado uma doença, como a DA, ainda é motivo de questionamentos que demandam muitas pesquisas. Por isso, estudar o processo cognitivo em idosos é importante, pois pode auxiliar na prevenção e no tratamento da doença.

O que nós sabemos sobre a DA? A DA é uma doença caracterizada por uma progressiva degeneração do cérebro. Esta degeneração neurológica ocasiona a perda da memória, dificuldades de raciocínio, alterações do pensamento, personalidade e do comportamento. Estas alterações são significativas, a ponto de interferir e comprometer as atividades da vida diária, como cuidados financeiros, compromissos sociais e, nos casos avançados, até da higiene pessoal. É a principal causa de demência no mundo, atingindo 1% da população de idosos entre 65 e 70 anos. Com o passar dos anos, a prevalência da DA aumenta, passando de 6%, em idosos acima de 70 anos, e 30%, nos idosos com mais de 80 anos. A idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença. Nos EUA, os custos financeiros diretos e indiretos, no tratamento da doença, são estimados em torno de 100 bilhões de dólares. No Brasil, não existem estimativas oficiais, mas pelo crescente número de novos casos e o elevado custo do tratamento, podemos imaginar que as despesas também são muito elevadas. Na medida em que, a população está envelhecendo, no Brasil e no mundo, isto é, a expectativa de vida está aumentando, os custos elevados no tratamento da doença tendem a comprometer os orçamentos governamentais, em particular, os recursos financeiros nas áreas da saúde e previdência social.

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