A memória operacional pode ser treinada em idosos?

Group of older mature people lifting weights in the gym

Luiza Cury Muller

Muitas habilidades cognitivas, incluindo a memória operacional (MO) e as habilidades de raciocínio declinam com o passar dos anos. Tendo em vista essa ideia, Von Bastian et al. (2013) desenvolveram um estudo para avaliar se o intenso treinamento da MO poderia melhorar esta função cognitiva e também as habilidades de raciocínio em indivíduos jovens e idosos. O estudo foi desenvolvido com dois grupos: a) 31 jovens (9-36 anos) e b) 27 idosos (62-77 anos). Ambos realizaram tarefas que representaram as três categorias funcionais no modelo da capacidade da MO: a) armazenamento e processamento, b) integração relacional e c) supervisão. O estudo foi conduzido de maneira que participantes e experimentadores não eram cientes de quais grupos pertenciam (duplo-cego).

Nesse experimento, todos participantes completaram 20 sessões de treinamento cognitivo ao longo de quatro semanas, sendo que cada sessão tinha como tempo de duração o intervalo correspondente a 25-30 minutos. Cada grupo treinou três tarefas diferentes, de aproximadamente 10 minutos cada, e a ordem das sessões para cada grupo foi escolhida de modo aleatório. As tarefas foram: Numerical Complex Span (armazenamento e processamento), Tower of Fame (integração relacional) e Figural Task Switching (supervisão). O treinamento era auto administrado pelos próprios participantes e realizado em suas próprias residências, por meio de computadores com “software open-source Tatool” (Von Bastian et al., 2013). Todos os participantes começaram a primeira sessão com os mesmos níveis de dificuldade. Ao longo das sessões, a dificuldade da tarefa foi adaptada passo a passo, de acordo com as performances individuais de cada participante. O efeito do treinamento da MO foi medido comparando a diferença de desempenho antes (pré-teste) e depois (pós-teste) do treino.

Em síntese, os resultados do estudo mostraram que os dois grupos (jovens e idosos) apresentaram aumento no desempenho da MO (nas tarefas treinadas) e em tarefas estruturalmente similares (não-treinadas). Entretanto, a pesquisa evidenciou não haver transferências do treinamento para as tarefas que envolvem a habilidade de raciocínio, em ambos os grupos. Em contraste com um estudo anterior, no qual cada faceta da memória de trabalho foi treinada separadamente, o presente estudo constatou que o treinamento múltiplo funcional de categorias simultaneamente induz menos transferência. Os resultados fornecem evidências de que o desempenho da MO pode ser melhorado ao longo da vida.

 

 Referencias

 Bastian, C. C., Langer, N., Jäncke, L., & Oberauer, K. (2013). Effects of working memory training in young and old adults. Memory & Cognition, 41, 611-624.

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