Avaliando da memória visual

visual-memory

 

Por Camylla Meneguzzo

Seria possível viajar no tempo? Essa é uma pergunta que possivelmente os físicos buscam responder há muitos anos. Transportar o homem através do tempo pode ser um dos desejos mais interessantes da humanidade. Conhecer o futuro e revisitar o passado certamente seriam experiências excepcionais, mas ainda impossíveis nos dias de hoje. Ou nem tanto.

O cérebro pode ser considerado como o órgão mais fantástico e desafiador do corpo humano. Ele nos permite visitar o futuro, através de ideias revolucionárias, mas também nos leva ao passado, por meios de nossas memórias. Sob esse ponto de vista, não só é possível como fazemos diariamente viagens pelo tempo. Para Tulving (2002) ao rememorar algo, é feita uma viagem mental ao passado, violando assim a lei da irreversibilidade do fluxo do tempo, mesmo que essa façanha ainda não seja possível na realidade física.

O aprendizado diz respeito a uma mudança no comportamento que é resultado da aquisição de conhecimento sobre o mundo, e a memória é o processo por meio do qual esse conhecimento é codificado, armazenado e posteriormente evocado (Kandel, Schwartz, Jessell, Siegelbaum, & Hudspeth, 2014). Ainda segundo os autores, o aprendizado e a memória são fundamentais para o pleno funcionamento e a sobrevivência independente tanto de pessoas quanto de animais (Kandel et al., 2014)

Assim é possível considerar que a memória é uma das funções que definem a singularidade humana. Ela permite o acesso à linguagem, torna os pensamentos coerentes e organiza a história do sujeito (Fuentes, Malloy-Diniz, Cosenza, & Camargo, 2008).

É válido ressaltar que a partir do momento em que uma informação é retida, a sua lembrança posterior não é necessariamente uma cópia exata da informação que foi originalmente guardada. Experiências anteriores são utilizadas no presente como guias que auxiliam o encéfalo a reconstruir um evento do passado. Durante a lembrança, é utilizada uma ampla gama de estratégias cognitivas como comparações, inferências, adivinhações e suposições para produzir uma memória consistente e coerente (Kandel et al., 2014).

No entanto, esse é um processo que aparentemente sofre com o decurso do tempo, uma vez que queixas de memória são comuns em grande parte da população acima dos 60 anos, mas cabe ressaltar que os déficits de memória, quando associados ao envelhecimento, não acontece de forma igualitária em todos os seus sistemas (Freire et al., 2008).

Um dos casos mais famosos da literatura sobre a temática memória, o caso H.M., serve de guia para a compreensão dos mecanismos deste constructo. Kandel et al. (2014) relatam que H.M. (Henry Molaison, nome revelado após sua morte, em 2008), foi estudado pela Psicóloga Brenda Milner e pelo cirurgião William Scoville, pois após procedimento cirúrgico de remoção bilateral da formação hipocampal, amígdala e partes da área associativa multimodal do córtex temporal para o tratamento de epilepsia, o paciente passou a apresentar déficit importante de memória. H.M. manteve preservada a memória de trabalho, a memória semântica, bem como a de longo prazo para eventos anteriores à cirurgia. Este caso indicou a primeira ligação clara entre o lobo temporal medial, incluindo o hipocampo, e a memória, apontando para o papel destas estruturas para a consolidação de novas memórias.

Sobre os sistemas de memória, diversos autores propuseram formas de classificá-los, assim temos hoje o conceito em relação ao tempo de retenção (ultracurta, curto prazo e longo prazo) e suas subdivisões (Fuentes et al., 2008).

Uma das formas de memória é a visual, que pode ser mensurada através de testes psicológicos. De acordo com a Resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) N.º 002/2003, em seu  Art. 16º, a utilização de testes psicológicos que não constam na relação de testes aprovados pelo CFP, salvo os casos de pesquisa, é considerada uma falta ética (Conselho Federal de Psicologia, 2003). Para tanto, o CFP disponibiliza um endereço eletrônico em que agrupa todos os instrumentos e sua respectiva situação de uso (se favorável, desfavorável ou em análise). Esse sistema de avaliação de testes psicológicos (Satepsi) pode ser consultado através do endereço http://satepsi.cfp.org.br.

Em pesquisa ao sítio eletrônico, realizada no mês de Agosto de 2016, foram encontrados 162 testes considerados como favoráveis para uso no Brasil. Destes, 14 eram testes de memória. O constructo memória visual é avaliado por 7 instrumentos, sendo eles: Teste de memória visual para o Trânsito (MVT), Teste Pictórico de Memória Visual (TEPIC-M), Teste de Memória Visual (TMV), Teste de Memória Visual de Rostos (MVR) – Adaptação Brasileira, Figuras Complexas de Rey e o Teste de Retenção Visual de Benton (BVRT).

 

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