O esquecimento que ocorre antes do aparecimento da Doença de Alzheimer

Várias pesquisas sobre prevalência de Donça de Alzheimer na população geral tem evidenciado a existência de três grupos diferentes de idosos: 1) idosos com demência, 2) idosos sem demência e 3) idosos que não podem ser classificados nem com ou sem demência. Neste terceiro grupo, estão os indivíduos que apresentam declínio cognitivo, geralmente da memória, mas que não podem ser classificados como Doença de Alzheimer.

Este grupo intermediário é conhecido na literatura médica como Comprometimento Cognitivo Leve (CCL). O termo foi originalmente cunhado em 1999, por um grupo de pesquisadores do Departamento de Neurologia da Mayo Clinic (USA), liderados por Ronald C. Pertersen.

CCL é um estado transitório entre o envelhecimento cognitivo normal e a demência leve. É uma condição clínica na qual a pessoa apresenta perda de memória maior que a esperada para sua idade, e essa condição clínica não satisfaz os critérios para a Doença de Alzheimer provável. Os critérios diagnósticos utilizados para o CCL são: a) queixa de problemas de memória, preferencialmente, corroborada por um informante; b) declínio da memória, comparado à idade e educação; c) função cognitiva geral preservada; d) atividades da vida diária intactas; e) não preenche os critérios de demência.

A importância da investigação neuropsicológica do CCL aumenta à medida que a população de idosos vai crescendo, aumentando também as queixas e os problemas de memória. A Associação Americana de Psicologia (APA) e a Acadêmica Americana de Neurologia (AAN), por exemplo, recomendam que pessoas com CCL devam ser identificadas e monitoradas quanto à progressão para desenvolver DA.

 

 

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A neuroética e a Doença de Alzheimer

Por que o estudo da neuroética é importante para a Doença de Alzheimer? O estudo da neuroética é importante porque os avanços recentes na neurociência demandam respostas a dilemas que são essencialmente éticos. Por exemplo, o profissional de saúde deve ou não divulgar um diagnóstico de pessoas assintomáticas ou com sintomatologia mínima com donça de Alzheimer? Em que momento deve ou não interromper o tratamento paliativo em pacientes com Alzheimer avançada? Como tratar o problema do estigma social em indivíduos com Doença de Alzheimer muito leve? É moralmente aceitável utilizar aparelhos de estimulação cerebral para aprimorar o funcionamento cognitivo? Estas e outras questões demandam respostas que devem ser moralmente justificadas. Em síntese, O estudo da neuroética é particularmente importante porque auxilia a tomar as melhores decisões em relação ao diagnóstico e tratamento das doenças neurológicas e possibilitam orientar pacientes e familiares.

Autopercepção de que a memória está piorando pode ser um preditor para Doença de Alzheimer

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Um estudo de pesquisadores alemães publicado na Plos one constatou que preocupações de que a memória está piorando, em idosos com Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) pode ser um fator preditivo importante para a Doença de Alzheimer.

Queixas subjetivas de problemas de memória, como esquecimentos, lapsos de memória no dia-a-dia ou dificuldades para aprender algo novo são frequentes entre idosos. O problema é que nem sempre estas percepções ou queixas subjetivas traduzem um declínio objetivo da memória observado em instrumentos de medidas padronizadas. Associado a constatação objetiva da perda da memória em testes neuropsicológicos é importante a coleta de informações com familiares ou pessoas próximas do avaliando, para corroborar a evidência de problemas de memória significativos.

A pergunta chave empregada no estudo para classificar idosos com e sem preocupações com a memória foi: “Você sente que a sua memória está piorando.” A pergunta foi lida dentro do processo de avaliação do paciente. As respostas possíveis eram: (1) “Não”, (2) “Às vezes, mas isso não me preocupa”, (3) “Sim, isso me preocupa”, (4) “Sim, isso me preocupa muito”. Somente as respostas (3) e (4) foram empregadas para classificar os idosos com preocupações com a memória.

A contribuição deste estudo está na observação de que pessoas com evidências de declínio da memória, como os idosos com CCL, a percepção subjetiva da piora da função cognitiva está associada ao desenvolvimento futuro da Doença de Alzheimer. Esta constatação tem implicações para a prática em neuropsicologia clínica – o cuidado que devemos tomar para não negligenciar as queixas de problemas de memória, em especial, quando há evidência de declínio da memória.

Referência

Wolfsgruber S, Wagner M, Schmidtke K, Frölich L, Kurz A, et al. (2014) Memory Concerns, Memory Performance and Risk of Dementia in Patients with Mild Cognitive Impairment. PLoS ONE 9(7): e100812. doi:10.1371/journal.pone.0100812

Doze maneiras de prevenir a perda de memória

Artigo publicado no site veja.com

Esquecer onde deixou a chave de casa ou não se lembrar do que comeu no dia anterior é normal — se isso acontecer um dia ou outro. Episódios de esquecimento costumam estar relacionados a stress e acúmulo de atividades. “Quando um indivíduo desempenha diversas tarefas ao mesmo tempo, o lóbulo frontal do seu cérebro seleciona as informações que serão armazenadas, por serem necessárias, ou descartadas”, diz Eduardo Mutarelli, neurologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

A informação segue sempre o mesmo caminho pelo cérebro: entra pelo hipocampo e é fixada por outras áreas do órgão, conforme a sua classificação — a sensação do tato, por exemplo, é registrada pelo lobo parietal, enquanto o reconhecimento visual, pelo lobo occipital. Se fugir dessa rota, a informação será esquecida. “A diferença entre falta de atenção e perda de memória é que, na primeira, a informação nem chegou a ser registrada, enquanto, na segunda, a informação que estava armazenada é perdida”, afirma André Lima, neurologista do Hospital Rios D’Or, no Rio de Janeiro, e membro da Academia Brasileira de Neurologia.

Terceira idade — A partir dos 60 anos, há uma perda de memória natural, decorrente da morte de neurônios que se acentua nessa fase. Esse declínio, porém, não deve atrapalhar as atividades diárias — se isso acontecer, é preciso investigar o motivo junto ao médico. Um teste neuropsicológico, feito em consultório por um neurologista, indicará se há perda de memória. “Doenças como AVC, tumores e epilepsia podem causar esse déficit”, diz Edson Issamu Yokoo, neurologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

​Em idosos, porém, as causas mais comuns são associadas à demência, principalmente o Alzheimer, caracterizado pela atrofia do hipocampo e demais partes do cérebro. A doença acomete 1% da população aos 65 anos, 10% aos 70 anos e 50% aos 85 anos. “O idoso pode ter deficiência na orientação temporal, como não saber em que ano está, e espacial, quando não consegue identificar sua localização. Além disso, ele pode apresentar dificuldades na linguagem e na escrita”, explica Yokoo.

​Remédios como os anticolinesterásicos e a memantina, que contêm a atrofia dos neurônios, evitam o avanço da demência. “Mas o ideal é investir na prevenção e exercitar sempre a memória, já que esses medicamentos não têm resultados muito efetivos”, diz Lucas Alvares, neurocientista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Para continuar lendo click: Doze maneiras de prevenir a perda de memória – Saúde – Notícia – VEJA.com.

Comprometimento Cognitivo Leve: quando o declínio da memória ainda não é Alzheimer

cclPesquisas sobre prevalência de demência na população geral tem evidenciado três grupos diferentes: 1) idosos com demência, 2) idosos sem demência e 3) idosos que não podem ser classificados nem com ou sem demência. Neste terceiro grupo, estão os indivíduos que apresentam declínio cognitivo, geralmente da memória, mas que não podem ser classificados como demência. Este grupo é conhecido na literatura médica como Comprometimento Cognitivo Leve (CCL). O termo foi originalmente cunhado em 1999, por um grupo de pesquisadores do Departamento de Neurologia da Mayo Clinic (USA), liderados por Ronald C. Pertersen.

O CCL é um estado transitório entre o envelhecimento cognitivo norma e a demência leve. É uma condição clínica na qual o idoso apresenta um esquecimento maior que a esperada para a sua faixa de idade e escolaridade, mas que no contexto geral, não satisfaz os critérios diagnóstico para Doença de Alzheimer (DA). Este grupo apresenta um risco maior para desenvolver DA no futuro. Por isso, a identificação precoce do CCL pode prevenir o aparecimento da demência.

 

Para saber mais:

Hamdan, A. C. (2008). Avaliação neuropsicológica na doença de Alzheimer e no comprometimento cognitivo leve. Psicologia Argumento26(54), 183-192.

Palestra sobre Doença de Alzheimer

 

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Ontem tive uma tarde muito especial. Fui convidado para ministrar uma palestra sobre a Doença de Alzheimer na Universidade da Terceira Idade, atividade desenvolvida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Foi uma tarde agradável, com muitos questionamentos e relatos de casos. A foto acima foi tirada durante o intervalo com alguns participantes. Na quinta-feira terá outra palestra.

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