O que é a Doença de Alzheimer?

A Doença de Alzheimer (DA) é uma doença neurodegenerativa que apresenta três características principais. Primeira, são as leões nos neurônios. Inicialmente, estas lesões ocorrem no córtex temporal, particularmente, nas regiões do hipocampo. Posteriormente, as lesões evoluem para outras áreas corticais, como o córtex frontal e parietal. As lesões ocorrem também nas regiões subcorticais. Segunda característica, o declinio das habilidades cognitivas. Inicialmente, o comprometimento ocorre para fatos recentes (memória recente) e, posteriormente, evoluem para as demais funções cognitivas. Entre as principais funções cognitivas afetadas estão a atenção, o raciocínio, a linguagem e a capacidade de tomar decisões. Terceira característica, comprometimento da vida social do indivíduo. A capacidade de autonomia do paciente fica severamente comprometida levando a total dependência de outras pessoas.

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Autopercepção de que a memória está piorando pode ser um preditor para Doença de Alzheimer

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Um estudo de pesquisadores alemães publicado na Plos one constatou que preocupações de que a memória está piorando, em idosos com Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) pode ser um fator preditivo importante para a Doença de Alzheimer.

Queixas subjetivas de problemas de memória, como esquecimentos, lapsos de memória no dia-a-dia ou dificuldades para aprender algo novo são frequentes entre idosos. O problema é que nem sempre estas percepções ou queixas subjetivas traduzem um declínio objetivo da memória observado em instrumentos de medidas padronizadas. Associado a constatação objetiva da perda da memória em testes neuropsicológicos é importante a coleta de informações com familiares ou pessoas próximas do avaliando, para corroborar a evidência de problemas de memória significativos.

A pergunta chave empregada no estudo para classificar idosos com e sem preocupações com a memória foi: “Você sente que a sua memória está piorando.” A pergunta foi lida dentro do processo de avaliação do paciente. As respostas possíveis eram: (1) “Não”, (2) “Às vezes, mas isso não me preocupa”, (3) “Sim, isso me preocupa”, (4) “Sim, isso me preocupa muito”. Somente as respostas (3) e (4) foram empregadas para classificar os idosos com preocupações com a memória.

A contribuição deste estudo está na observação de que pessoas com evidências de declínio da memória, como os idosos com CCL, a percepção subjetiva da piora da função cognitiva está associada ao desenvolvimento futuro da Doença de Alzheimer. Esta constatação tem implicações para a prática em neuropsicologia clínica – o cuidado que devemos tomar para não negligenciar as queixas de problemas de memória, em especial, quando há evidência de declínio da memória.

Referência

Wolfsgruber S, Wagner M, Schmidtke K, Frölich L, Kurz A, et al. (2014) Memory Concerns, Memory Performance and Risk of Dementia in Patients with Mild Cognitive Impairment. PLoS ONE 9(7): e100812. doi:10.1371/journal.pone.0100812

Doze maneiras de prevenir a perda de memória

Artigo publicado no site veja.com

Esquecer onde deixou a chave de casa ou não se lembrar do que comeu no dia anterior é normal — se isso acontecer um dia ou outro. Episódios de esquecimento costumam estar relacionados a stress e acúmulo de atividades. “Quando um indivíduo desempenha diversas tarefas ao mesmo tempo, o lóbulo frontal do seu cérebro seleciona as informações que serão armazenadas, por serem necessárias, ou descartadas”, diz Eduardo Mutarelli, neurologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

A informação segue sempre o mesmo caminho pelo cérebro: entra pelo hipocampo e é fixada por outras áreas do órgão, conforme a sua classificação — a sensação do tato, por exemplo, é registrada pelo lobo parietal, enquanto o reconhecimento visual, pelo lobo occipital. Se fugir dessa rota, a informação será esquecida. “A diferença entre falta de atenção e perda de memória é que, na primeira, a informação nem chegou a ser registrada, enquanto, na segunda, a informação que estava armazenada é perdida”, afirma André Lima, neurologista do Hospital Rios D’Or, no Rio de Janeiro, e membro da Academia Brasileira de Neurologia.

Terceira idade — A partir dos 60 anos, há uma perda de memória natural, decorrente da morte de neurônios que se acentua nessa fase. Esse declínio, porém, não deve atrapalhar as atividades diárias — se isso acontecer, é preciso investigar o motivo junto ao médico. Um teste neuropsicológico, feito em consultório por um neurologista, indicará se há perda de memória. “Doenças como AVC, tumores e epilepsia podem causar esse déficit”, diz Edson Issamu Yokoo, neurologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

​Em idosos, porém, as causas mais comuns são associadas à demência, principalmente o Alzheimer, caracterizado pela atrofia do hipocampo e demais partes do cérebro. A doença acomete 1% da população aos 65 anos, 10% aos 70 anos e 50% aos 85 anos. “O idoso pode ter deficiência na orientação temporal, como não saber em que ano está, e espacial, quando não consegue identificar sua localização. Além disso, ele pode apresentar dificuldades na linguagem e na escrita”, explica Yokoo.

​Remédios como os anticolinesterásicos e a memantina, que contêm a atrofia dos neurônios, evitam o avanço da demência. “Mas o ideal é investir na prevenção e exercitar sempre a memória, já que esses medicamentos não têm resultados muito efetivos”, diz Lucas Alvares, neurocientista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Para continuar lendo click: Doze maneiras de prevenir a perda de memória – Saúde – Notícia – VEJA.com.

O último nocaute de Eder Jofre

Reportagem publicada no site Veja.com

Em Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, o patriarca José Arcadio Buendía inventa um engenhoso método para compensar uma peste, sucedânea da insônia, que engole o povoa­do de Macondo e apaga a memória dos cidadãos. Com um pincel começa a marcar em etiquetas o nome e a utilidade de cada objeto. No pescoço de uma vaca, uma placa informa: “Esta é a vaca que deve ser ordenhada todas as manhãs para produzir leite e o leite deve ser fervido para poder ser misturado ao café”. E seguia a vida, com mais de 14 000 bilhetes e a euforia da reconquista das lembranças. Na Macondo particular de Eder Jofre, um quarto tão simples quanto bem arrumado, de 2 por 4 metros, na casa da filha, no bairro de Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo, uma folha de papel A4 colada na porta do armário de madeira compensada avisa com letras femininas e carinho: “Eu, Eder Jofre, moro com a minha filha Andrea, o marido, Oliveira, e os filhos Lanika, Axel, Babi e Sidney. Moro aqui há nove meses. Quem cuida das minhas coisas são os meus filhos Marcel e Andrea. Estou morando aqui desde que minha esposa, Maria Aparecida Jofre (Cidinha), faleceu, em 10 de maio de 2013. Aqui sou lembrado dos meus remédios e compromissos. Pela manhã, após o café, tenho que me exercitar, desenhar e escrever. Depois do almoço descanso e desenho, com a mão esquerda. Depois do lanche me exercito e assisto TV. Depois do jantar volto a assistir TV até a hora de dormir”. É — ou deveria ser — leitura diária a caminho de jornadas árduas, de recuperação da consciência de quem é ou foi.

Pra continuar lendo, click O último nocaute de Eder Jofre – Notíciast VEJA.com.

A verdadeira história de Phineas Gage

Cabinet-card portrait of Gage shown holding the tamping iron whiO caso Phineas Gage é considerado um marco na história da neuropsicologia.

Foi a primeira evidência científica associando lesões dos lobos frontais com alterações de personalidade, interação social e funções cognitivas.

Um artigo recente, escrito por Sam Kean e publicado na revista Slate, conta a verdadeira história do mito Phineas Gage. Vale a pena ler. Para acessar click aqui.

 

Comprometimento Cognitivo Leve: quando o declínio da memória ainda não é Alzheimer

cclPesquisas sobre prevalência de demência na população geral tem evidenciado três grupos diferentes: 1) idosos com demência, 2) idosos sem demência e 3) idosos que não podem ser classificados nem com ou sem demência. Neste terceiro grupo, estão os indivíduos que apresentam declínio cognitivo, geralmente da memória, mas que não podem ser classificados como demência. Este grupo é conhecido na literatura médica como Comprometimento Cognitivo Leve (CCL). O termo foi originalmente cunhado em 1999, por um grupo de pesquisadores do Departamento de Neurologia da Mayo Clinic (USA), liderados por Ronald C. Pertersen.

O CCL é um estado transitório entre o envelhecimento cognitivo norma e a demência leve. É uma condição clínica na qual o idoso apresenta um esquecimento maior que a esperada para a sua faixa de idade e escolaridade, mas que no contexto geral, não satisfaz os critérios diagnóstico para Doença de Alzheimer (DA). Este grupo apresenta um risco maior para desenvolver DA no futuro. Por isso, a identificação precoce do CCL pode prevenir o aparecimento da demência.

 

Para saber mais:

Hamdan, A. C. (2008). Avaliação neuropsicológica na doença de Alzheimer e no comprometimento cognitivo leve. Psicologia Argumento26(54), 183-192.